26.10.04

avaliação

Irei proceder ao primeiro momento, mais ou menos formal, de avaliação na próxima semana.
Tenho articulado com o pessoal e chamado a atenção para o facto, nomeadamente para a finalização dos trabalhos, o seu aprimorar, bem como a realização das fichas de trabalho, quer as de orientação quer as de conteúdos.
Como tenho procurado passar um pouco do tempo com cada aluno, de modo a perceber a sua situação, as suas dificuldades, aquilo que o tem motivado, a relação com colegas, a organização dos grupos.
A minha dificuldade reside na criação de instrumentos que me permitam acompanhar esse trabalho, instrumentos práticos, sintéticos que para além de quantificar me permita qualificar a evolução e as impressões. Tenho adaptado alguns instrumentos que encontrei quer na net, quer em dossies de professores. Tenho criado uma base de dados sobre todos os alunos, a carecer ainda de muita reformulação e alguns profundos aperfeiçoamentos, como tenho registado em texto outras ideias. Mas a sua integração? o seu rápido manuseamento e acesso? o seu tratamento? todos elementos que requerem algum do tempo que esta semana é escasso pela profusão de reuniões e ocupação.

dinâmica

uma das alterações já introduzidas, no decorrer dos trabalhos e da definição das regras deste jogo, consistiu na elaboração, em sala de aula, de fichas de trabalho por mim realizadas.
Senti que alguns grupos perdiam dinâmica na sala, uma vez que ou tinham desenvolvido trabalho em casa ou simplesmente pela dimensão dos grupos não se enquadravam no ritmo.
Passei então a apresentar uma ficha para resolução na sala, obrigando os grupos a organizar-se de acordo com objctivos e interesses individuais e colectivos.
e momento e para primeiras impressões considero que a dinâmica foi reconquistada e se ganhou um novo alento. Requer agora a continuidade das fichas, da sua formulação mais adequada tendo em vista objectivos de pesquisa, à orientação face aos conteúdos trabalhados, bem como à manipulação e tratamento da informação.
Há ainda algumas resistências. Por dificuldades (?) o pessoal olha para os livros mas não os lê, quando há leitura há dificuldades de compressão, interpretação e explicação, quer de ideias quer de conceitos, situação que só pode ser alterada mediante o reforço das leituras e dos trabalhos mais individualizados.

11.10.04

orientação

ainda que pugne pela defesa e construção das autonomias, sinto, perante alguns alunos, quer em virtude da idade quer pelas características que apresentam, que há necessidade de orientar, estreitar o espaço na qual o aluno se movimenta.
Para que isso possa acontecer, passei a definir um calendário para apresentação dos trabalhos práticos como defini que as fichas de aula serão as do caderno de actividade e a ficha a contar para processo de avaliação será apresentada e elaborada pela minha pessoa.
Aguardo ideias.

aperto

Hoje, no decorrer da conversa com uma turma de 7º ano senti necessidade de apertar algumas das condições. Apertar em termos de condicionar as escolhas, de modo a que o pessoal não se sinta tão perdido, tão livre que possa vir a prejudicar o rendimento final, e apertar em termos de definir uma data para conclusão do trabalho e, eventualmente, para a realização da ficha de trabalho.

8.10.04

percepção

Hoje, na sequência da conversa sobre os critérios e metodologias de avaliação, ficou claro em mim uma das minhas preocupações, que o aluno tenha o mais claro possível a percepção das suas capacidades, de definir os seus objectivos e da sua capacidade de realização, da adequação dos meios e do tempo à sua realização, das implicações de negociar com os colegas objectivos e acções, de relacionar os diferentes interesses em jogo.
Ou seja, uma das principais preocupações recai na construção de sentido(s) perante o trabalho que se desenvolve.
Poderá ser deveras interessante perceber qual a evolução desta ideia no próprio aluno.

dos trabalhos

... os trabalhos práticos definidos decorrem de uma opção de partir do presente para o passado, com o claro objectivo de colaborar na construção de um sentido individual onde se encaixe o processo histórico. Para além disso, visam ainda habilitar o aluno ao manuseamento dos diferentes suportes da informação, ao seu tratamento, à compreensão da relação que existe entre factos, acontecimentos e à leitura que sobre eles é feita.
Deste modo, partimos da análise do que existe, hoje, no nosso concelho sobre os diferentes momentos da História do Homem ou do legado que cada cultura que por aqui passou nos deixou ou de qual o seu contributo para a compreensão de dado facto actual para uma análise e compreensão da História, dos seus elementos e conteúdos.
É um claro aproveitamento de todo o legado histórico existente na região e que nos permite perceber o que é, situar no tempo esses elementos e criar um sentimento de preservação de uma memória colectiva.
Exemplos não faltam, desde os vestígios do período Paleolítico (as grutas do Escoural, o museu de arquologia de Montemor-o-Novo) passando pelos vestígios Neolíticos (antas, dolmens, alinhamentos, entre outros) existentes no distrito, até terminar na análise da arquitectura contemporânea, na desmontagem da arte contemporânea ou na discussão dos grandes temas políticos e sociais do momento como é possível analisar o legado científico das culturas pré-clássicas, da democracia grega, do direito romano ou das grandes correntes culturais.
O nível de abordagem, tratamento e apresentação estão directamente relacionados com o nível leccionado, os interesses de cada grupo e as motivações (ou expectativas sociais) que rodeiam cada elemento. A abordagem efectuada, apesar da variação específica de cada nível de ensino, é possível desde o 7º ao 12º.
E recolhe uma clara aceitação por parte da generalidade dos alunos.
A opção ou mais correctamente, a variação quanto ao produto final apresentado decorre dos gostos e das aptidões de cada elemento. Há aqueles mais manuais que optam por exemplos miniaturizados e aqueles outros que preferem um trabalho escrito.
Estou expectante quanto aos resultados deste ano, de percepcionar a sua evolução.

impressões

em face do decorrer destas duas semanas de trabalho há duas ideias, ainda muito em forma de impressão, que registo.
Em primeiro lugar, tem sido mais fácil trabalhar com turmas onde existem blocos de 45' + 90' minutos.
As sessões de 90' são destinadas ao desenvolvimento do trabalho dos grupos - apoio, esclarecimento, orientação e controlo de prazos. As sessões de 45' ficam reservadas à resolução da ficha de trabalho - leitura, estudo, pesquisa de informação - ou a uma ou outra orientação que possa decorrer de trabalho realizado fora da sala da aula.
Tenho ficado com a impressão que, nestes grupos, existe alguma receptividade a uma metodolgia diferente, ainda que existam núcleos claramente sem referências e com alguma desorientação.
Como segunda impressão, a sensação que existe uma maior receptividade em dois núcleos para mim algo surpreendentes. De um lado aqueles que, aparentemente, andam cá por ver andar os outros, perante estes necessito de ouvir outros docentes para perceber se é assim ou se apenas uma impressão minha. Do outro lado, o outro núcleo, os bons alunos, já reveladores de alguma autonomia, de alguma iniciativa e que reunem algumas condições (instrumentos) para irem em frente por si.
No meio destes um núcleo de alunos, falta-me ainda perceber qual a dimensão, que ainda não está ciente dos seus objectivos, que tanto lhe dá ser assim ou assado, que ainda disfruta, com alguma leveza e leviandade, a sensação de liberdade que é oferecida.

Hoje debatemos, analisámos e definimos os critérios de avaliação do trabalho da disciplina.
Havia, desde o início um conjunto de ideias mais ou menos assentes, digo eu, mas que, no decorrer do trabalho, senti necessidade de clarificar.

  • Nível 1 - não é necessário fazer nada, podemos estar quietos, inclusivamente não aparecer;
  • Nível 2 - basta fingir que se trabalha, dar a sensação que estamos ocupados e aparentemente preocupados, mas insuficiente para disfarçar o que não se fez e o que não se trabalhou;
  • Nível 3 - realizar com pleno aproveitamento duas das fichas de trabalho definidas; realizar dois dos trabalhos práticos propostos (pretende-se partir do presente para o passado na análise do processo histórico);
  • Nível 4 - para além do anterior necessita de ter qualidade (definida em conjunto e em função dos trabalhos que se desenvolvem), de ser aceite pela generalidade do grupo;
  • Nível 5 - para além dos dois anteriores e da clara qualidade do trabalho desenvolvida, necessita de ajudar e colaborar com os colegas do grupo ou da turma na resolução de situações, esclarecimento de dúvidas ou apoio.
Para que haja noção do trabalho desenvolvido, ficou definido que se assentará numa estratégia com base em:
  • realização de questionário individual, colocada pelo professor no final de cada ficha e de cada trabalho, para aferição das dificuldades, das dúvidas remanescentes e das oportunidades a explorar;
  • debate no seio do grupo, num processo colectivo de avaliação, de recolha de opiniões e
  • análise dos produtos obtidos;
Discutidas as ideias fico com a sensação que não darei notas, serão assumidas por cada elemento. Que o processo terá, talve, ficado claro para todos, onde é possível definir objectivos individuais e criar um sentido ao trabalho desenvolvido.
A ver vamos.

diário

a partir deste momento e por uma sensação de necessidade de orientação, apoio e registo as postas aqui colocadas vão no sentido de um registo em forma de diário.
Ou seja, darei conta da minha avaliação, das ideias que retiro do desenrolar deste trabalho, das opiniões recolhidas, das ideias trocadas.
Não invalida que não haja, de quando em quando, um assomo de fundamentação teórica, de enquadramento didáctico, de registo mais didáctico. Mas o essencial, a partir daqui é o diário de uma ideia, de uma prática.

6.10.04

da acção

Mas afinal em que consiste esta ideia.
Basicamente, ao procurar desenvolver a autonomia e a aprendizagem pela descoberta e apoiada, quer no grupo quer pelo professor, formo pequenos grupos, num primeiro instante, em que têm que definir um projecto de trabalho.
O projecto de trabalho consiste em definir um produto a apresentar (apresentação, oral ou escrita, posteres, visitas, visionamento de filmes, etc), desenhar os objectivos, organizar as acções para a sua concretização, apontar um calendário e negociar com o professor a ideia.
A primeira sensação é a de liberdade total, o que, por vezes, corresponde a uma certa irresponsabilidade e a uma sensação de perda de referências.
Para que isso não aconteça disponibilizo, periodicamente, fichas de trabalho e de orientação, que servem para balizar o trabalho do aluno.
Como no final de todas as sessões de 90' se processa um momento, rápido e sucinto, de avaliação, quer do que se fez, de modo a consciencializar o aluno sobre o que (não) fez, quer a aferir do produto desejado, desvios, correcções ou outros.