23.1.05

cansaço

tenho uma turma no último tempo de 6ª feira perante a qual tenho esgotado o stock de estratégias e opções metodológicas de trabalho.
É o final de uma semana puxada para todos, é o final de um dia onde tenho 6h de aulas e os miudos um dia inteiro de aulas apenas teóricas. Tudo a desaguar pelas 15h15. Não rendem, tenho tentado quase tudo, trabalho individual, trabalho de grupo, leituras, textos, fichas, passeios pela biblioteca, etc, e sinto que não rende.
Vou apostar numa coisa que não gosto, procurar que desenvolvam o trabalho em casa, servindo a escola e a sessão apenas para conversas sobre a temática.

19.1.05

Avaliação constante

É um tema que me é caro e perante o qual reconheço toda a pertinência e utilidade na e para a construção de um sentido ao trabalho desenvolvido pelo aluno.

Na semana passada senti necessidade, numa turma, de efectuar um ponto de situação relativamente ao trabalho desenvolvido, quer no seio do grupo (como é que se organizam, como é que dividem tarefas e objectivos) quer ao produzido (rendimento, o que se faz, o que acontece entre o princípio e o final da aula, qual o resultado obtido desse tempo).

No final da aula, criei uma tabela de dupla entrada onde se alinham os grupos e três indicadores de avaliação:

1. Situação - capacidade de organizar o trabalho, relacionamento e entendimento do grupo, distribuição de tarefas;

2. Rendimento - juizo sobre o que se produziu, o que se fez, quantidade e, particularmente, quantidade, número de respostas, textos produzidos, obstáculos ultrapassados e

3. avaliação - expressa apenas em sinais de +, - e =, resultado os dois indicadores anteriores mas também com referência ao resultado obtido no final do 1º período.

Depois de utilizada no primeiro grupo/turma, tenho que assumir que os resultados superaram, e muito, as expectativas. O pessoal reconhece-se na avaliação e no ponto de situação feito. Procura obter sinais positivos em face da sua situação e do rendimento obtido.

Por outro lado, permite corrigir uma ou outra situação, compreender como estamos, o que se tem de fazer, o que há que fazer para melhorar, para alcançar os objectivos inicialmente definidos.

Foi, para o momento, uma clara e objectiva mais valia no processo de trabalho.

resolução de problemas

tenho consciencializado, e escrito, que um dos meus principais objectivos consiste em colaborar na construção de um sentido de escola, em apoiar a forma, o modo como o aluno reconhece alguma utilidade, algum sentido, áquilo que faz na sala de aula.

Dentro deste apoio e no âmbito desta construção de sentidos, há uma área que tenho considerado deveras interessante e que me permite ver, sentir a evolução dos resultados do 1º para o 2º período. Consiste na assunção da resolução de problemas.

Isto é, consicencializei que um dos modos de as aulas fazerem sentido, serem minimamente pertinentes e úteis no trabalho do aluno é apoiar a resolução de problemas, isto é, a aula consiste na procura de resolução de um dado problema.

Então o que é isto? Basicamente é um processo em três partes:

primeiro, pretendo que o aluno, numa primeira fase, perceba a pergunta, compreenda aquilo que se pergunta. Numa segunda fase tentar-se-ão criar perguntas, questionar o mundo mediante a utilização das ferramentas e da metodologia da disciplina, descodificar o que se pergunta (provavelmente ao nível do secundário, ou de um final de 9º ano); esta fase processa-se ao nível do levantamento de conteúdos, da compreensão da matéria, do trabalho de pesquisa, de conhecer do que se fala e de quais as suas relações e implicações históricas e sociais;

segundo, que o aluno seja capaz de organizar a informação, mediante a sua pesquisa (onde procurar, como, o quê) e seja capaz de definir, de acordo com o seu interesse e a sua relação com a questão de definir o que é pertinente e útil do que é acessório e dispensável; neste ponto o aluno deverá ser capaz de seleccionar o conjunto de fontes que lhe permitam perceber o que tem de fazer, organizar hipóteses, estruturar uma ideia do texto e da necessidade de sistematizar as ideias, definir esquemas, resumir opiniões, e, ao fim e ao cabo, construir uma ideia do que tem pela frente;

terceiro, ser capaz de estruturar um texto claro, simples e prático que procure responder à questão inicial, onde se equacionem princípios de causalidade, dialéticas históricas, consequências e impactos, quer no contexto histórico abordado, quer, essencialmente, que se escoem até ao presente;

Tenho de reconhecer que ao assumir com clareza esta ideia, senti progressos no trabalgo dos alunos, nomeadamente ao nível do seu rendimento, interesse, participação e envolvimento.

13.1.05

dos comentários

eu sei que é uma situação normal e natural mas não deixa de me incomodar. Andei um dia completo a pensar se escrevia esta posta ou se a deixava passar em branco. Como se nota opto pela partilha.Um conjunto de pais/encarregados de educação manifestaram ao respectivo D.T. algum incómodo em face das metodologias que adopto na sala de aula e às suas implicações perante os seus educandos.É-me difícil não tomar posição, ser indiferente, mas resumidamente explico. A minha opção metodológica vai no sentido do aluno resolver problemas, ultrapassar situações com recurso à disciplina (História) e aos instrumentos que faculta, opto por não apresentar, de modo tradicional, expositivo, unidireccional, passivamente em relação ao aluno os conteúdos (procuro evitar a seca que são as aulas), prefiro a descoberta, a construção, a partilha do conhecimento, a resolução dos problemas. Do ponto de vista teórico será uma mistura (espero que não explosiva) entre metodologias diferenciadoras (com base em processos), a pedagogia da autonomia e componentes construtivistas e da escola moderna.Ora esta opção tem-se revelado frutífera na conquista de alguns alunos para a disciplina e para o trabalho escolar (uma análise do aproveitamento mostra isso mesmo). Mas há alunos, geralmente e por hábito, uma franja significativa de alunos que na generalidade apresentam níveis elevados e que em face deste tipo de trabalho baixam relativamente o seu rendimento. Foram pais/encarregados de alunos destes alunos que se manifestaram.Sinto-me de consciência tranquila na procura de propostas, opções, metodologias, estratégias que permitam construir um sentido de escola e do trabalho desenvolvido, do papel e da participação da disciplina nesta construção, da autonomia do aluno, na sua capacitação para a rssolução de problemas, para a organização de ideias, para o seu envolvimento e participação na construção e definição dos seus interesses.Mas reconheço que me sinto incomodado. Talvez até mais porque o D.T. não estava preparado para responder às questões, quando desde a primeira reunião intercalar lhe apresentei documentação sobre o que faço, como faço, com que características, opções e orientação.Fico na dúvida do que faço, será correcto? adequado? adaptar-se-á ao aluno? irá ao encontro das suas necessidades? prepará-lo-á para situações futuras? consolidará conhecimentos? promoverá atitudes ou competências?.Mas sozinho sei que não vou a lado nenhum e que estas situações, já estou algo habituado, surgirão sempre