19.11.04

objectivos

no início do período tinha como uma das minhas principais preocupações, definir, descrever quais os objectivos de cada sessão.
Chegado à sala de aula a preocupação era escrever no quadro quais os objectivos, qual a orientação para aquela sessão, o que se pretendia. Alguns alunos aproveitavam e faziam dali o sumário, eles próprios o referiam.
Hoje, após o primeiro momento de avaliação, sempre que entramos na aula os grupos organizam-se, juntam-se os elementos e procuro saber o que pretendem fazer, quais os objectivos que definem, quais as acções que se propõe desenvolver naquela sessão.
No final da sessão procuro inteirar-me do que foi feito, do nível de cumprimento dos objectivos, daquilo que eles próprios definiram, da sua adequação e realização.
É uma inversão de ideias e de atitudes, é passar para o aluno a criação e definição dos objectivos da sessão. Como é também a procura de um sentido mais adequado ao aluno do seu trabalho e do seu ritmo.
É certo que nem tudo corre como esperado. Que existem situações de desadequação entre os objectivos e o tempo da sessão e necessário para a sua concretização. É certo que existem uns quantos que fogem ou procuram fugir à obtenção de resultados, que ainda é difícil, nomeadamente ao nível dos 7º onde apenas estamos 90' por semana, definir as acções, compreender os motivos, definir um sentido de autonomia.
Mas a receptividade está, nesta altura, muito mais alta do que seria de esperar. Do que eu esperava.

desconstrução

há dias atrás, em plena discussão sobre a situação de uma turma em Conselho de Turma, atirei a ideia que era preciso desaprender de modo a construirmos uma nova forma de estar e agir na aula de história.
Disse-o e foi bem recebido eventualmente porque interpetado com algu sentido.
Mas fiquei logo de seguida arrependido de o ter dito.
Quando referi a necessidade de desaprender aquilo que se fez pode pressupor uma certa dose de arrogância e convencimento face ao trabalho desenvolvido, poder-se-ia dar a entender que quem está para trás fez mal, errado e não adequadamente. Que agora é o certo, o correcto e o adequado, que a verdade é única e está aqui.
Nada de mais errado. Felizmente que os colegas perceberam mais no sentido de ser face à desconstrução do conhecimento, para percebermos o que sabemos e o que não sabemos, de se ter a noção do que há que fazer, da aquisição de outros procedimentos e outras atitudes. Da necessidade de compreender os diferentes pontos de vista, de construirmos o conhecimento.
Fiquei indisposto com o que disse, mas serviu para perceber outros princípios, outras lógicas.

9.11.04

confirmação

mas depois há ideias, há momentos em que sinto que talvez não esteja tão errado quanto o me fazem sentir, que talvez até tenha alguma razão e necessidade de ir em frente, de ser preservante, tenaz, de dar tempo ao tempo, de permitir que as coisas aconteçam, devagar, com todo o tempo do mundo.

questionar

há pouco efectuei um flash back - no crónicas do deserto - ao mesmo mês mas no ano anterior. Pude constatar que neste mesmo mês ocoreram críticas, se levantaram dúvidas, se questionou aquilo que faço e, mais concretamente, do modo como o faço, tal como agora.
fico nas dúvidas, na incerteza se será este o caminho. Provavelmente necessitará, sempre, de rectificações, correcções, adequações, reorientações. Mas tenho dúvidas, particularmente quando me sinto isolado nesta prática e ninguém tenho para trocar ideias, debater orientações.
Mas cá vou, pensando e construíndo um sentido de escola.

desconstrução

ontem, em conversa com a funcionária da biblioteca da escola, que se confronta com a orda de pessoal que se descloca da sala para aquele espaço, na tentativa de encontrar ideias e respostas, consegui racionalizar uma das ideias que norteia o processo de trabalho, a desconstrução, ou a constatação das ignorâncias, do desconhecido.
Nessa pequena conversa constatei da necessidade de confrontar o aluno com aquilo que não sabe, com a eventual necessidade de perceber a necessidade de construção do seu conhecimento, de cortar com o dado e se confrontar com o construído.
Não é uma ideia nem fácil, nem simples, uma vez que a generalidade das pessoas tem alguma relutância em lidar com os limites da sua ignorância, mais ainda uma crinça com clara pretensão que tudo sabe e tudo domina ou que a net dá e tem todas as respostas.
Mas pode ser útil, deve ser prático e utilitário, no sentido de ao longo deste 1º período se desmontar a nossa ingorância para que ao longo do 2º possamos construir um modo de actuação, criar padrões de trabalho, definir um modelo de construção do conhecimento (neste caso) histórico.

4.11.04

dúvidas

iniciei, no final da semana passada, a avaliação ao trabalho desenvolvido, mediante a entrega de um questionário de recolha de opiniões e o registo de ideias sobre o que se tem feito, a participação de cada um (aluno e professor) para o desenrolar das actividades mas tamb+em em face dos empenhos nos resultados obtidos.
Uma primeira vista de olhos, nomeadamente sobre os resultados obtidos com as turmas de 8º ano, permitem acalentar mais vontades, arregimentar mais caminhos. Mas também proceder a algumas alterações, rectificações e correcções.
Nomeadamente nas referentes às fichas de trabalho que descubro que ou são fáceis demais ou são curtas demais. A generalidade dos alunos de 8º ano comentaram as fichas como excessivas, demasiados constantes, sempre presentes.
Como surgiram as primeiras dúvidas oriundas de alunos. Uma turma de 7º comentou com a respectiva Directora de Turma que se sente algo desorientada na aula de História, que gostava de regressar aos métodos tradicionais e mais expositivos. Estou certo que em breve surgirão também os comentários de pais e encarregados de educação, legítimos quando confrontados com a diferença de métodos, estratégias e opções.

construção

na construção de um possível sentido da escola, do papel do aluno e do trabalho escolar tenho procurado criar materiais, perceber quais os mecanismos de actuação e de relacionamento professor/aluno/escola. Tenho assumido que é muita gente, uma triangulação difícil de gerir como extremamente volátil, plástica, maleável, dependente de inúmeras situações, co-relacionada com múltiplos factores e elementos, uns exteriores outros interiores quer à escola, quer ao agregado familiar, à pessoa (características, personalidade) do aluno, à forma como este vê (constroi uma ideia e uma imagem sobre o) professor, o seu papel, a sua disposição.não tenho a mínima veleidade de conseguir algo de concreto, de útil, de prático, de adaptável no decorrer deste ano, apesar de ser este o ano onde reconheço um maior deságuar, uma maior confluência de circunstâncias.Mas esta minha procura, esta minha pesquisa tem levantado questões não menos fáceis de gerir, tem desvelado, como diria o magnífico reitor da minha terra, situações não menos complexas.Por exemplo, e talvez porque estou sozinho no processo, a relação que os alunos criam com outras disciplinas, com outros docentes, com outras atitudes - resistência, atrito quando não mesmos conflito, mas essencialmente indiferença. O questionar de docentes face ao trabalho, às metodologias, às estratégias adoptadas, à livre circulação de alunos pelas escola (apenas e somente entre a sala e a biblioteca ou centro de recursos) no decurso da aula, facto que me tem obrigado a aprofundar a teorização e fundamentação.