Passada a análise das avaliações de 2º período, ultrapassada a definição e organização das tarefas e objectivos deste 3º e último período há duas situações que saltam à vista numa análise simplista e empírica ao trabalho desenvolvido no âmbito do que designo como pedagogia diferenciada.
Por um lado a crucial e fundamental importância da definição e determinação de dinâmicas de grupo. Particularmente evidente nas sessões de 90´é esta dinâmica de grupo que permite criar e desenvolver situações promotoras da atenção e concentração, do envolvimento e participação, da colaboração ou da competição entre elementos e, desse modo, a aquisição de aprendizagens, a interiorização de conhecimentos, o desenvolvimento de competências. A definição de um ritmo de trabalho que permita acompanhar as inevitáveis oscilações de trabalho e interesse (entrada e disponibilidade inicial, trabalho e dispersão) são determinantes para um sucesso mínimo de uma aula. Sem esta dinâmica (aleada a uma clara definição de objectivos) é trabalho perdido.
Como segundo elemento, a criação de um sentido ao trabalho do aluno. O aluno terá, deverá, perceber o que fazer, o que é pretendido, qual o seu interesse e a sua participação naquilo que se define. seja em função de um interesse intrínseco, seja da indução de interesses (recompensa), seja pela relação com os seus objectivos pessoais há necessidade de o aluno perceber o que está ali a fazer, o que dele é pretendido.
À semelhança da dinâmica de grupos, também a clarificação dos objectivos, a sua completa e exaustiva explicitação é fundamental para que a dinâmica de grupos se desenvolva em função dos sentidos que o aluno constrói em face do seu trabalho.
Entre a dinâmica de grupos e o sentido ao trabalho escolar um elemento unificador, de união entre estes dois conceitos, a clarificação e explicitação dos objectivos. Muitas vezes os objectivos são definidos em função do interesse do professor, dos conteúdos, do apertar do calendário. A experiência mostra-me que é mais produtivo que sejam definidos em função do aluno, dos seus interesses e motivações. Poder-se-á perder tempo inicialmente, poder-se-á sentir algum constrangimento inicial em face de desvios temáticos ou programáticos, mas ganha-se mais tarde quando o aluno entra numa dinâmica por si criada em face do sentido que cria ao trabalho que desenvolve.