

Este ano optei por utilizar a metodologia do portefólio como um dos instrumentos de avaliação, e não tenho meia dúzia de meninos, tenho 180.
Na sequência da minha opção em trabalhar no âmbito da pedagogia diferenciada o portefólio é um instrumento quase espontâneo.
Neste sentido a opção recaíu em dizer mais ou menos o que era, sem grandes explicações, nem grandes enquadramentos (é, nomeadamente, o conjunto de trabalhos desenvolvidos no âmbito da disciplina, os produtos - alguns chamam-lhe evidências - desenvolvidos pelo aluno, seja na resolução de fichas, sejam de trabalho ou de avaliação, seja na pesquisa de informação, na elaboração de um trabalho, ao qual estão apensos comentários, do aluno e do professor, reflexões sobre o que se fez, o porquê, uma análise mais pessoal e intimista do trabalho que conduziu aquele produto, aquela evidência).
Optei por deixar surgir a necessidade, deixei que surgissem questões sobre a sua pertinência, sobre a sua utilização e finalidade (afinal são crianças do 7º e 8º ano, considerei desnecessário qualquer enquadramento teórico à situação).
No final do primeiro período a questão foi pacífica ainda que sem grandes arranjos, e uma preocupação organizacional ainda incipiente, mas estavam instaladas as condições para a sua efectiva utilização como instrumento de avaliação.
Assim sendo, optei por deixar andar. Para além das minhas leituras, havia que aproveitar uma formação neste âmbito que me permitisse acrescentar algo mais à minha prática pedagógica. E deu resultado.
No final deste período tenho analisado e trocado impressões com cada aluno, individualmente considerado. O aluno apresenta o seu portefólio, justifica as suas opções, comenta o comentário crítico que sobre ele fez.
Enquadrado por outras grelhas disponibilizadas pelo professor (nomeadamente de autoavaliação) o aluno chega à avaliação do período, sem interferência do professor, apenas pelas evidências do seu trabalho, pela apresentação do seu trabalho.
O portefólio hoje mostra, em alguns dos alunos, uma organização e uma apresentação de meter inveja ao professor. É reconhecido por todos que reflecte o trabalho desenvolvido, está ali o empenho, a participação, o trabalho de cada pessoa, de cada aluno. Como estão as suas emoções e afectos quer com o professor, quer com a disciplina, quer, muito particularmente, com o seu trabalho.
É uma opção que irei acentuar ao longo do próximo período com algumas alterações.
Ultrapassei, definitivamente, a fase de procurar, no âmbito do processo de avaliação, distanciar-me dos sentimentos ou de evitar as emoções, de procurar a objectividade absoluta.
Considero hoje uma idiotice (desculpem-me os mais susceptiveis).
Os sentimentos, as emoções, os afectos também são parte integrante, quando não mesmo fundamental do processo de avaliação. Mais ainda quando se trabalha no âmbito da pedagogia diferenciada.
Sala de Aula
coisas e ideias sobre uma dinâmica de ensino em sala de aula
17.3.05
11.3.05
alterações
Neste momento, entre o balanço de final de período (ainda muito incompleto) e as persepctivas e arranjos de um outro, confronto-me com duas situações que preciso de modificar.
Por um lado, pretendo assegurar uma maior diferenciação ao trabalho que o aluno desenvolve - prentendo manter a diferenciação apenas ao nível de processos e produtos, mantendo ainda comum objectivos e conteúdos, por considerar que não existe razão objectiva que justifique a diferenciação destes dois elementos.
Já defini que irei entregar pequenas questões, para desenvolver na sessão (ao nível de 7º ano) ou da semana (8º). Resolvidas umas, serão disponibilizadas outras de modo a avançar no conhecimento e no tratamento de novos conteúdos. Esta metodologia permitirá, em princípio, diferenciar ritmos quanto aos processos, assegurar uma diferente dinâmica de grupos e, mesmo, garantir a possibilidade de trabalho individualizado (o que tenho dúvidas que suceda).
Não sei, ainda tenho muitas dúvidas, no modo de garantir que o aluno não deixa acumular conteúdos e opta por realizar fichas de avaliação com a regularidade necessária a um desempenho positivo (a quantidade de questões - de conteúdos - não ficaria dependente do professor mas do trabalho desenvolvido pelo aluno); mas tenho dúvidas em como o assegurar;
Por outro lado, já defini uma maior articulação entre produtos, isto é, entre o desenvolvimento das fichas de trabalho e a realização de trabalhos práticos.
Este período procurei, já no final, que existisse uma muito maior aproximação entre um e outro, mas, na generalidade dos grupos, falhou - apenas o consegui em dois ou três grupos.
Como há que apoiar e clarificar a utilização do portfólio como instrumento de avaliação do trabalho desenvolvido. Quer referente a produtos, quer no referente à construção de sentidos ao trabalho escolar.
triangulação
Fruto de toda orientação e dos objectivos definidos desde o início do período iniciaram-se hoje as avaliações, o balanço dos trabalhos desenvolvidos.
A avaliação do período, que espero reforçar e sustentar no decorrer do próximo, assenta na triangulação entre três elementos.
1. na organização e análiese do portólio individual do aluno;
2. na redacção de um relatório crítico sobre o desempenho individual e a sua progressão no período; e
3. preenchimento de uma grelha de auto-avaliação, definida pelo professor, onde se procuram analisar e avaliar três áreas de trabalho, participação, empenho e colaboração.
O primeiro momento decorreu hoje e tenho que reconhecer que, face ao perspectivado, apenas denotei dois desvios (em 22 alunos), um por excesso outro por defeito.
Como devo destacar as referências feitas no relatório crítico. Perspicácia, acutilância, pertinência e reconhecimento, claro e objectivo, do que foi feito por cada aluno em particular.
Esta proposta metodológica permite-me duas situações.
Por um lado, permite deslocalizar o processo de avaliação para o aluno, envolvê-lo e responsabilizá-lo por aquilo que fez, faz ou que apresenta como resultado da sua participação (ou ausência dela) na disciplina. Não significa que o professor fique sem esta componente, por muitos considerada fundamentalno processo de ensino-aprendizagem. Significa apenas confrontar o aluno com o resultado do seu trabalho.
Por outro, permite também alicerçar outros mecanismos na construção de um sentido próprio, individual ao trabalho escolar e disciplinar, como permite, ao mesmo tempo, fundamentar uma ideia ao trabalho que o aluno desenvolve.
No âmbito dos comentários (do relatório crítico) foi destacado por diferentes alunos o claro e expresso reconhecimento que estas metodologias permitem acrescentar ao seu rendimento e à definição de objectivos mais ambiciosos.
1.3.05
revisão
aproximamo-nos do final de mais um período e há balanços, comentários, revisões e rectificações que devem ser consideradas, umas e outras feitas.
Hoje, em conversa com dois grupos de alunos, um de 7º outro de 8º, pude-me aperceber de mais umas quantas situações que podem/devem ser reorientadas.
Por um lado, a necessidade de envolver mais o aluno na definição dos seus próprios objectivos, das suas intenções face à disciplina e face ao período de trabalho. Senti, nomeadamente perante a conversa com elementos do 7º ano, que deixei pouco espaço de manobra para que pudessem, para além da orientação, criar o seu próprio percurso, definir os seus próprios objectivos, construir o seu próprio sentido ao trabalho desenvolvido e, dentro destes, criar o seu próprio ritmo de trabalho.
Um dos aspectos que pode ir ao encontro desta preocupação já está pensado e relaciona-se com a introdução de dois novos elementos logo na primeira sessão do 3º período. Um diz respeito a uma grelha de objectivos por sessão. Já houve uma que foi entregue, mais em pensar na organização do trabalho para o mês. Não foi muito bem sucedida, uma vez que lhe liguei pouca atenção, a solicitei poucas vezes e os alunos não souberam ou não a quiseram utilizar. Agora será ligeiramente diferente e visa a organização e definição de tarefas e objectivos para a sessão, no caso dos 7ºs ou para a semana, no caso dos 8ºs. Um segundo elemento relaciona-se com a definição dos objectivos no âmbito do portfolio individual. Apesar de utilizar este elemento ao longo do 2º período, mais evidente nuns grupos que noutros, no próximo período procurar-se-á uma utilização mais sustentada e mais consequente deste instrumento.
Uma outra das preocupações a merecer atenção na redefinição de 3º período diz respeito aos ritmos e aos interesses de cada grupo de trabalho. Houve uma clara associação entre autonomia e responsabilidade e, neste sentido, há que apoiar alunos que mostram interesse e apresentam expectativas sociais bem definidas perante a escola. Este apoio poderá passar pela criação de outros produtos e do apoio a uma dinâmica mais pessoal, mais individual, coisa que penso obter alguma resistência em alguns elementos, pois preferirão o apoio entre eles ao trabalho individual.
